07/09/2026

Colecção Integral Astérix #1: O Combate dos Chefes

Começar mal…
outra vez


A Colecção Integral Astérix está de volta. Pela terceira? quarta? Quinta vez? Para o bem e para o mal.
Para o mal, porque haveria com certeza outras colecções semelhantes que os leitores portugueses generalistas - e é a eles que a colecção se dirige primeiramente - ainda não tiveram oportunidade de fazer.
Para o bem, porque é sinal que a BD - Astérix, muito particularmente - continua a vender.


A colecção

Não vou repetir o que escrevi em ocasião semelhante, há meia dúzia de anos. Mas parece-me - a julgar por este primeiro número, O Combate dos Chefes, com preço inferior ao do álbum de lançamento de há 6 anos(!) - que os principais problemas que apontei então (e podiam ser revistos) - falta de cuidado na revisão dos extras, colecção incompleta - foram corrigidos. Por isso, esta nova verão ‘integral’ conta os 41 álbuns de BD existentes à data - incluindo Astérix na Lusitânia - e ainda 7 álbuns ilustrados, entre eles O Império do Meio que só estará à venda no final do corrente ano.


O Combate dos Chefes

Este não é uns meus álbuns de Astérix - de Goscinny - favoritos. Juntamente com Astérix nos Jogos Olímpicos e Astérix e o Caldeirão constituirá mesmo, provavelmente o Top 3 das piores histórias que Goscinny escreveu na série, mas é tudo uma questão de gosto, obviamente. Este é o meu, mas suponho que haverá mais leitores a pensar o mesmo.

Isto não invalida a sua escolha para iniciar esta colecção, uma vez que é a narrativa que serviu de base à mais recente - de há um ano e pouco - animação da personagem, por isso será aquela que estará mais próxima dos não-leitores tradicionais de Astérix.

Na sua origem, está uma antiga tradição gaulesa (?) que assentava no facto de, após um combate entre dois chefes, o vencedor ficar a chefiar não só a sua aldeia, mas também a do vencido. Com esta base, os romanos propõem a um chefe romanizado que desafie Matasétix para um combate singular. O grande obstáculo, a poção mágica Panoramix, aparentemente é ultrapassado quando, por acidente, o druida perde a memória quando leva com um menir em cima - e não há outra forma de o escrever.

Com Uderzo ainda à procura do traço que o levaria a tornar-se um dos maiores desenhadores da sua geração, Goscinny - mesmo menos inspirado, digo eu... - revela o seu génio, em especial nalguns trocadilhos brilhantes ou na crítica social patente num álbum em que, na verdade, a temática de base é o colaboracionismo que, aparentemente, ainda afetava a sociedade francesa, 20 anos após o final da Segunda Guerra Mundial. Voltando um pouco atrás, a título de exemplo, vejam-se os jogos de palavras na sequência em que os romanos são enviados para a floresta para tentar capturar Panoramix, a série da consultas que têm lugar no consultório do druida Amnésix, ou a batalha final, finamente comentada... Para além disso, ao longo das páginas, há alguns piscares do olho que o leitor atento conseguirá descobrir.

E, porque não dizê-lo ainda, pelo belo final que mostra que, realmente, os gauleses em geral, e Matasétix em particular, só têm medo de uma coisa: que o céu lhes caia em cima da cabeça.

Numa história que começou a publicar-se em 1964, uma nota para as ausências, que alguns estranharão, do peixeiro e do ferreiro, que se tornariam depois figuras tutelares da série.

E, sim, eu sei, apesar de - TUDO ISTO… e mais - é dos álbuns do Astérix de Goscinny que menos me agrada…


O Combate dos Chefes
Colecção Integral Astérix #1
René Goscinny (argumento)
Albert Uderzo (desenho)
Salvat
Portugal, Agosto de 2026
225 x 295 mm, 64 p., cor, capa dura
1,99 € (preço especial de lançamento)

(imagens disponibilizadas pela Salvat; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)

15 comentários:

  1. Anónimo7/9/26 14:18

    Pedro, desculpe-me mas não referiu o principal ponto polémico nesta colecção, que é o facto de a Salvat ter baralhado a numeração dos livros. Ou seja, quem já comprou a edição anterior (os otários como eu), ao ler a notícia oficial da Salvat, pensou logo: "Fixe! Como já tenho a edição passada, irei comprar apenas os números que me faltam, pois devem ser os últimos!".
    Ora, a Salvat, em desconsideração total aos "lombadistas" como eu, resolveu relançar esta colecção com números trocados, misturando livros novos com os antigos, esperando que os otários como eu voltem a comprá-la toda. Ou seja, em vez de comprar a meia dúzia de livros finais, irei comprar ZERO!

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    1. Anónimo7/9/26 14:29

      O mais engraçado deste comentário é aparecer "Anónimo" e todos sabermos que és tu Nuno Cunha

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    2. A questão da numeração baralhada está referida no texto anterior. E na verdade, as edições de banca, pelo seu espírito, são para ser feitas na altura, não 'aos poucos'...
      Boas leituras!

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    3. Olá! Fui eu quem respondeu como anónimo.
      Fi-lo porque respondi no portátil da minha empresa, que não me deixa usar nada do Google. Nem sei quem é esse Nuno Cunha, para ser honesto.

      Pedro, peço desculpa, se referiu a numeração, não reparei e garanto-lhe que li e reli o que escreveu...

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    4. Sem problema Daniel. Obrigado pelo comentário. A questão da numeração está referida no texto anterior para que remete o link no início.
      Boss leituras!

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  2. Da minha parte, sou vou comprar Astérix na Lusitânia por curiosidade de ver o dossier dos extras, quanto ao resto já tenho quer na coleção anterior , quer nas edições posteriores da ASA. Fica para os (hipotéticos) novos leitores...

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  3. Pois, ainda não é desta que sai o Vagabundo dos Limbos! ou Luc Orient... sempre as mesmas séries requentadas...

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    1. Eu diria mesmo que esses nunca serão. Uma colecção deste género tem de servir o público generalista. Atrevo-me a dizer que tirando Lucky Luke ou talvez Michel Vaillant, será difícil imaginar outra em português...
      Boas leituras!

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  4. Uma do Lucky Luke com a fase Morris/Goscinny, para não ser muito longa era uma bela ideia ..

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    1. Sim, um Lucky Luke Must Have era fixe, não é preciso re-editar os 41 albums, digamos talvez uns 10, com inclusão do A Diligência; O Caçador de Prémios; O Juíz; Calamity Jane; Dalton City; O Imperador Smith; Ma Dalton, etc... o melhor da parelha Morris/Goscinny, muitos já estão esgotados.

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    2. Acho que até os 1s volumes da nova fase do lucky luke também estão esgotados na asa e sem reedições....

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    3. As colecções de banca não podem ser muito curtas, para compensar o investimento. 10 álbuns nunca seria opção...
      Boas leituras!

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    4. Err podiam misturar como fizeram a uns anos com a fase clássica já eram mais de 10

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  5. E uma coleção que nunca ficará completa como Tintin porque nunca vão parar de editar novos álbuns....

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    1. Sim, há a fase Morris, depois Goscinny Morris, depois Morris com diversos argumentistas, depois as novas aventuras do Achdé com vários argumentistas. E as séries paralelas (Rantanplan, Kid Lucky)... E os Lucky Luke de autor...
      Seria uma enorme lombada! 😃
      Boas leituras!

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