02/02/2026

Alix 40 - L’oeil du Minotaure + Alix Senator #13 - O antro do Minotauro

Controlar a narrativa

Quem segue este blog sabe que, desde o início, fui seduzido por esta série, Alix Senator. Pelo período em que decorre, pelo tom mais adulto que assume em relação à série original e também pelas pontes que a argumentista foi construindo em relação a esta última. Mas, com este díptico, Valérie Mangin consegue finalmente controlar totalmente a narrativa. 

Isto porque se, até agora, de alguma forma, se podia dizer que a escritora andava a correr atrás da série original, procurando nela apontamentos, pormenores, bases, para as suas histórias da série autoral, a verdade é que ao assumir também a escrita do Alix ‘original’ pode construir livremente o seu enredo e de alguma forma, preparar no relato mais antigo as bases para a história mais recente. 

O Alix de Mangin, um pouco na sequência da sucessivas retomas da personagem por diversos escritores, apresenta-se textualmente menos pesado que original de Jacques Martin, numa lógica de adequação aos tempos que agora correm, sem que isso signifique perda de consistência ou diminuição da base histórica que sempre distinguiram a série.

Em L’oeil du Minotaure, Alix e Enak vão acompanhar Brutus na busca de uma jóia, que ostenta uma pérola negra de grande tamanho, que César em tempos ofereceu à mãe daquele, sua amante. Acontece que, aparentemente, a jóia está a envenenar a mulher e César, desconfiado de uma vingança, envia o trio em busca do vendedor, numa viagem que os levará primeiro à Grécia e depois à ilha de Creta onde se situou o célebre Labirinto do Minotauro.

O que aí terá lugar e as razões mais profundas de tudo o que aconteceu terão que ser descobertas pelos leitores que, como sempre, ganharão com a leitura da aventura do jovem Alix antes de se embrenharem na que decorre quando ele já envelheceu e é senador romano. 

Esta última, O antro do Minotauro, disponível em português numa edição da Gradiva, faz de forma consistente a ponte com o que teve lugar décadas antes, embora, após um desenrolar consequente, acaba por terminar de modo que surpreende o leitor. No relato mais moderno há uma subida de tom - em violência implícita e explícita - que é inerente à série e na lógica ausência de Brutus, serão Alix e Enak a assumir o protagonismo, desviando-se da (estranha…) busca da Atlântida iniciada no tomo anterior.


Alix #40 - L’oeil du Minotaure
Valérie Mangin (argumento)
Chrys Millien (desenho)
Casterman
França, 2021
226 x 302 mm, 48 p., cor, capa dura
13,50


Alix Senator #13 - O antro do Minotauro
Valérie Mangin (argumento)
Thierry Démarez (desenho)
Gradiva
Portugal, Setembro de 2025
233 x 313 mm, 56 p., cor, capa dura
20,99 €

(capas disponibilizadas pela Casterman e a Gradiva, pranchas provenientes das versões originais francesas, disponibilizadas pela Casterman; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão; clicar nos textos a cor diferente para saber mais sobre os temas destacados)

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