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02/02/2026
Alix 40 - L’oeil du Minotaure + Alix Senator #13 - O antro do Minotauro
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10/03/2021
Sybylline 1975-1982
Terno e violento
Tenho
Raymond Macherot como um dos meus autores favoritos, que me consegue
surpreender sempre, em especial pela forma como consegue combinar o
grafismo simpático e ternurento de Chlorophylle ou Sibylline,
pequenos habitantes de belos bosques naturais, com uma violência
explícita que choca pelo contraste.
Possivelmente,
para ser levado a sério e perdurar na memória de quem o leu, não
poderia ser de outra forma.
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26/02/2021
Le Cri du Peuple
A Grande História
18
de Março de 1871.
Cercada
há quatro meses pelos prussianos, Paris acorda sob a humilhante
notícia da capitulação. Face ao desejo de armistício manifestado
por Adolphe Thiers, chefe do governo, a população revolta-se contra
as autoridades e, durante nove semanas, vai viver a aventura da
auto-governação, rapidamente baptizada de Comuna de Paris.
Tomando
como ponto de partida
um romance de Jean Vautrin, Jacques Tardi fez deste evento um imenso
fresco em banda desenhada, considerada por muitos a sua obra-prima.
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03/02/2021
Café Budapeste + Chevalier Ardent #5 + Notthingham #1
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16/10/2019
Chevalier Ardent Intégrale #4
Cada
vez mais, as edições integrais são o melhor caminho para quem quer
conhecer obras do passado - mesmo que relativamente recente - ou
recordar aquelas que marcaram a sua infância ou juventude - com
todos os riscos que isso acarreta!
Por
isso, esta será uma semana (quase?) toda dedicada a edições
integrais, aqui em As
Leituras do Pedro.
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14/02/2018
Frères d’Armes
Espelho
Num mês - Janeiro - com poucas novidades, as leituras foram
feitas à custa de edições deixadas para trás em 2017 ou até ‘esquecidas’ ao
longo dos anos.
Na ‘limpeza desses montes’, surgiu este Frères d’Armes, compilação de duas histórias, unidas
pela sua origem… indiana e pela temática comum: os conflitos regionais à sombra
dos extremismos globais.
04/10/2017
Sibylline 1969-1974
Bipolar
Criação do grande Raymond Macherot, aquando da sua
‘transferência’ da Tintin para a Spirou, Sibylline - que o mestre me
desculpe a ousadia - surge aqui (quase como) bipolar.
03/06/2016
Pandora #1
Por nostalgia, teimosia ou visão, a Casterman decidiu voltar
às revistas, desta vez sob a égide de Pandora, uma das mulheres que Corto mais
amou.
01/12/2015
Comic Con 2015 – Juan Dias Canales e Rubén Pellejero
Um autor, um livro
Sugestão de leitura para conhecer a obra dos convidados da
Comic Con Portugal, que terá lugar na Exponor, em Matosinhos, de 4 a 6 de
Dezembro.
Juan Dias Canales e Rubén Pellejero são convidados oficiais
da Comic Con Portugal 2015
A minha leitura deste livro vem já a seguir.
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19/01/2015
Alack Sinner: Histoires Privées
Ainda a pretexto dos 40
anos de Alack Sinner, recupero aqui o texto “O regresso de Alack Sinner”,
que publiquei originalmente no Jornal de Notícias de 15 de Fevereiro de 2000.
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15/11/2013
Le Temple du Soleil
Les nouvelles aventures de Tintin et Milou
Hergé
Casterman
França, 2003
287 x 232, 80 p., cor, cartonado com caixa arquivadora brochada
19,80 €
A reter
- O regresso, sempre feliz e de descoberta, a uma das
melhores histórias escritas e desenhadas por Hergé.
- A possibilidade de reler a primeira versão de “Le Temple
du Soleil”, tal como os leitores da revista Tintin o descobriram – extasiados,
acredito – desde o seu primeiro número, com o mesmo colorido e o mesmo formato
à italiana - embora numa edição (compreensivelmente) com dimensões bem menores…
- O poder comparar esta versão, publicada em prancha dupla
nas páginas centrais da revista, com a versão padrão em álbum e descobrir os
cortes que suprimiram vinhetas e sequências equivalentes a 16 pranchas.
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08/10/2012
La dernière femme
Colecção écritures
Charles Masson
Casterman (França, Agosto de 2012)
170 x 240 mm, 176 p., pb, brochado com badanas
14,00 €
Este livro
deixou-me uma sensação estranha. Apesar da leitura envolvente e bem disposta,
passei o volume todo à espera do golpe de asa, da surpresa, do toque de génio.
Que não aconteceu.
Assente num
magnífico traço semi-caricatural, vivo e agradável, tingido com manchas de
cinzento que definem volumes e ambientes, escrito com desenvoltura, algum humor,
um toque erótico e um ritmo quase frenético, La dernière femme leva o leitor à
boleia de Albert, na recordação das suas conquistas amorosas e das suas proezas
sexuais - dos seus fracassos e separações dolorasas também - mais de duas dezenas de mulheres, mais exactamente, uma para cada letra do
alfabeto, de A a Y, de Annie a Yolaine. Mas, apesar de tudo - apesar de todas - continua solteiro, solitário, com tendência para a melancolia e a auto-depreciação.
Uma vida
inteira movida pela paixão pelo belo sexo, na procura deste mas também de
relações mais ou menos estáveis e numa busca interior de si mesmo, sem nunca
conseguir encontrar(-se verdadeiramente e à) sua “cara metade”.
A seu lado (estamos
nós e) está Al, um jovem que viaja à boleia, que Albert recolhe como ouvinte
privilegiado e confidente inesperado e com quem irá irá descobrir uma
identificação quase total e intrigante – ou talvez não como o leitor acabará
por (intuir ou) descortinar.
No final, qual
sessão de psiquiatria concluída, após virar a última página deste road-movie
existencial que questiona o mais interior do ser humano, sobra a tal sensação
de copo meio cheio - ou vazio…
25/09/2012
Piége Nuptial
Christian de Metter
Casterman (França, Agosto de 2012)
185 x 260 mm, 128 p., cor, brochado com badanas
18,00 €
Resumo
Nick, um jornalista freelancer norte-americano, em viagem
pela Austrália, entre duas reportagens, descura três aspectos fundamentais para
sobreviver nas suas imensas planícies:
1)
Não conduzir de noite com os faróis acesos, pois
pode-se atropelar um canguru:
2)
Ao recorrer a uma garagem para reparar a viatura,
não dar boleia à primeira mulher bonita que aparece e, menos ainda, não ceder
aos seus encantos;
3)
Pensar bem, antes de responder a uma pergunta
feita durante a noite.
Desenvolvimento
Por coincidência, os dois livros já apresentados esta semana
aqui, em As Leituras do Pedro, são adaptações de obras literárias. Mais,
adaptações de obras literárias contemporâneas, fugindo, assim, à habitual
apetência pelos clássicos.
Depois de George R. R. Martin, ontem, hoje é a vez de
Douglas Kennedy, um norte-americano nascido em 1955, autor de alguns
best-sellers, entre os quais “The Dead Heart” (1988), que esteve na origem do
presente livro.
Na base da trama, está o facto de Nick ter falhado os três
pontos acima enumerados e, em consequência, quando procurava a liberdade e os
grandes espaços, dá por si privado da sua autonomia, da sua independência e da
possibilidade de circular, sozinho em Wollanup, uma pequena comunidade isolada de
estrutura patriarcal e praticamente desconhecida do mundo, para onde a sua “conquista”
o arrastou com o propósito de com ele casar – casar com a vítima da sua “armadilha
nupcial” de que fala o título francês.
Colocado nesta situação limite e de pesadelo, após uma
descida aos infernos em que quase se destruiu, Nick terá primeiro de recuperar
a sua autoconfiança, depois encontrar forma de sobreviver no meio de uma
comunidade hostil dominada pela força e a violência e, finalmente, agir,
contando com uma inesperada ajuda.
Sem adiantar mais, para não estragar o prazer da descoberta,
posso adiantar que este é um thriller psicológico que, depois de um arranque
que parece banal, facilmente cativa o leitor e o arrasta para a incómoda
identificação com Nick.
E que – tal como o relato de ontem – conseguiu encontrar a
forma de respirar num suporte narrativo diferente. Só que enquanto “O Cavaleirode Westeros” vivia das cenas de acção e do suporte dos textos de apoio, “Piége
Nuptial” assenta em diálogos curtos mas incisivos, em sequências mudas e na transmissão
de emoções como o desespero e o abandono e da enorme tensão psicológica que
constitui a base da segunda parte da história.
A reter
- A ideia original de “Piége Nuptial”
- A forma conseguida como De Metter transpôs para a BD este
romance de Douglas Kennedy, conseguindo transmitir a tensão e a violência
física e psicológica que se avolumam na segunda parte do relato até ao desfecho,
de certa forma, libertador.
- O soberbo trabalho gráfico do autor.
Menos conseguido
- A página final, pois a visualização da cena de imediato
desfaz o efeito pretendido.
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BD e literatura,
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11/09/2012
Crematorium
Eric Borg (argumento)
P-H Gomont (desenho)
Casterman/KSTR (França, Agosto de 2012)
190 x 277 mm, 128 p., cor, cartonado
16 €
Resumo
Concretizando um reencontro há muito marcado, algures numa
vilazinha perdida na França profunda, Théo e Clara evocam recordações e
preparam uma vingança que esperou muitos anos.
Desenvolvimento
Théo e Clara são as personagens centrais deste romance negro
desenhado. Claramente desequilibrados, marcados pela vida e disfuncionais,
desde o início deixam o leitor em dúvida sobre os laços que os unem.
O reencontro, após a saída de Théo da prisão, é atípico,
parecendo mais forte o seu objectivo do que propriamente o reatar da relação.
Com uma introdução (relativamente) longa e alguns saltos ao
passado que nos ajudam a compreender – ou pelo menos a aceitar – os
comportamentos errantes e anti-sociais de Théo e Clara e porque regressam a uma
terra marcada pelo abandono, que os esqueceu – ou quis esquecer? – a história,
apesar de um certo tom depressivo, acaba
por prender o leitor, pelas dúvidas quanto à forma como vai evoluir.
Aos poucos – também com a entrada em cena de um gang local
que não hesita em utilizar meios extremos para se impor - o ritmo vai
crescendo, os acontecimentos precipitam-se e a violência explode, de forma
amoral, explícita mas nem sempre justificada, conduzindo o leitor para um final
inesperado, cru e chocante, que obriga a uma segunda leitura à luz das
revelações entretanto feitas, mas que não esconde algumas insuficiências no
argumento que deixa algumas pontas por atar.
A reter
- A paleta cromática utilizada, voluntariamente limitada
tons frios – mesmo quando impera o vermelho do sangue – que define o tom das
cenas.
- A eficácia narrativa do traço de Gomont apesar de algumas
limitações.
- O desfecho surpresa e o retrato convincente do casal que
protagoniza Crematorium.
Menos conseguido
- Algumas oscilações de ritmo e algumas indefinições na
narrativa, que complicam um pouco a vida ao leitor.
20/06/2012
en Silence
Audrey Spiry
Casterman/KSTR (França, Junho de 2012)
190 x 277 mm, 140 p., cor, cartonado
16,00 €
Resumo
Verão, sul de França. Um grupo de amigos – dois casais, um
deles com duas filhas – e um guia vão passar o dia a fazer canyoning (um
desporto que consiste em explorar e descer um rio, a pé ou a nado, transpondo
os diversos obstáculos físicos – rochas, quedas, rápidos – que vão surgindo).
Aquilo que parece vir a ser um dia diferente e bem passado,
servirá a Juliette para repensar a sua vida e a sua relação com Luis, muito
próxima do ponto de ruptura.
Desenvolvimento
O tema não é novo – é cada vez mais recorrente em muitas obras
de BD (dita de autor) recentes – mas vale sobretudo pela abordagem extremamente
original utilizada por Audrey Spiry, que aqui se estreia de forma surpreendente em banda
desenhada (e onde se adivinha a sua origem no mundo da animação, onde
desenvolve a sua actividade profissional).
Antes de desenvolver aquela ideia, quero dizer apenas que
entre Luis e Juliette, mais do que qualquer outra coisa, foi a vida que se
interpôs entre eles. A diferença de idades e a vida profissional – ela é
recém-formada, em busca de emprego; ele trabalha há alguns anos no cinema e
cada novo projecto ocupa-o de forma total durante meses – as ambições e os
desejos – a ternura, os filhos, o conceito de família…
Isto é o que vamos apreendendo ao longo do relato – longo e
bem mais denso do que a significativa ausência de texto deixa prever e que reforça o silêncio (o isolamento, a solidão) que Juliette experimenta – durante o
qual vai havendo um contraponto entre o relacionamento dos dois casais e nos vamos
embrenhando nos pensamentos de Juliette, da mesma forma que ela se embrenha nos
labirintos do rio.
Porque, toda a narrativa é uma imensa metáfora da vida, com
os seus momentos calmos e os de maior pressão e ansiedade, os diferentes
caminhos que podemos escolher – ou que nos escolhem – os obstáculos e desafios
que surgem, os êxitos (sempre passageiros?), as quedas (bruscas) que damos, os buracos
sem fundo, o solo instável no qual nos sentimos a afundar, tudo o que nos puxa
para baixo, nos oprime e nos parece tirar o ar.
Uma metáfora acentuada – assente mesmo - no desenho fluído e
dinâmico da autora (feito em cor directa), que parece ter vida própria e (se) molda
às situações e aos momentos, mas também às emoções e aos sentimentos, ultrapassando
os limites físicos do espaço e das personagens, que distorce, molda e dilui, tornando-as
esguias ou pequenas, omnipresentes ou poderosas, um ponto no espaço ou uma
mancha que tudo cobre, consoante o que pensam, sentem, recordam, experimentam
no rio (a vida) em que estão à superfície ou submersas.
A reter
- Confesso já ter lido muitos romances desenhados – muitos deles
notáveis e marcantes - mas poucas vezes o termo “romance gráfico” fez tanto
sentido para mim como no caso deste “en Silence”, no qual o grafismo tem um
papel narrativo fundamental e transcendente.
- Pois, neste álbum, cada imagem ou sequência tem pelo menos
duas leituras: a imediata, relacionada com a descida física do rio, e uma outra,
mais profunda, que nos mostra retratados de forma visível conceitos abstractos
como impressões, sensações, emoções, momentos, amor, solidão, ternura, medo,
desejo, ansiedade...
- A cor (que é ao mesmo tempo traço) de Spiry, feita de tons
fortes e aguados, com uma imensa paleta de tons e matizes, que dilata o autêntico
convite aos sentidos que cada prancha já é.
13/06/2012
Rocher Rouge #2
Kwangala Connection
Eric Borg (argumento)
Renart (desenho)
Casterman/KSTR (França, Junho de 2012)
190 x 227 mm, 128 p., cor, cartonado
16,00 €
Resumo
A aguardada continuação de Rocher Rouge, iniciado em 2009 com
uma escapada de um grupo de jovens para uma ilha deserta paradisíaca, que se
transformou em horror e massacre.
Agora, descobrimos que Eva e JP escaparam ao seu destino e
estão apostados em vingar-se de forma cruel e atroz dos seus carrascos de então.
Desenvolvimento
Este livro – melhor, o primeiro tomo desta série
– tem para mim um significado especial. Foi devido à sua leitura – à necessidade
premente que senti de partilhar essa experiência com outros - que este blog
nasceu.
Não terá sido propriamente a primeira pedra de As Leituras
do Pedro – porque a ideia então já há germinava há algum tempo - mas antes uma
espécie de gota que fez transbordar o copo e deu o impulso de que eu necessitava.
A acção deste segundo tomo – possível mas não obrigatório face
ao desfecho do primeiro – começa poucos dias depois do seu trágico final. A
ligação estabelecida por Borg – que nasce logo na capa, que retoma uma das
imagens fortes do primeiro livro - é credível e consistente. Pistas que aparentemente
não o eram revelam o seu significado, sinais espalhados pelas últimas cenas
ganham uma nova leitura.
Ao mesmo tempo, o âmbito da acção alarga-se. São reveladas
ligações entre o tráfico de órgãos humanos com origem na tal ilha e o governo
estabelecido de Kwangala, introduzem-se novas personagens e descobrimos que a
terrível experiência vivida pelos seis jovens amigos afinal deixou dois
sobreviventes, JP e Eva.
Que, de regresso à ilha, vão encontrar os seus algozes e
devolver, com redobrada violência e atrocidade, mais do que aquilo que
sofreram, em páginas com sangue a rodos que justificam o epíteto de terror que
esta BD pode facilmente ostentar, reforçado pelo clima de tensão e a ansiedade
que perpassam por muitas das suas páginas.
Só que, quando pensávamos que tudo tinha já terminado – mais
uma vez – Borg tem o condão de nos voltar a surpreender, com um inesperado
desenvolvimento que – e esse é o ponto mais fraco deste díptico – culminará de
forma elíptica à boa maneira dos filmes de terror série B.
Neste regresso a Rocher Roug,e Borg abandona a parceria com
Sanlaville (ou terá sido o contrário?), surgindo Renart como responsável gráfico
da obra.
Da inevitável comparação com o primeiro tomo, se em termos
de cores pouco ou nada há a dizer – pois continuam vivas, intensas e fortes, embora
menos planas, perfeitamente justificadas pelo clima tropical e exótico em que a
acção decorre – em termos de desenho senti algumas saudades.
O traço de Sanlaville era sensual, expressivo, preciso,
quase uma linha clara um pouco distorcida.
Agora, Renart, se mantém uma planificação dinâmica e ágil – embora
lhe faltem as mudanças bruscas de pontos de vista que Salanville impunha com a
utilização de ousados picados e contrapicados - e apresenta um grafismo mais
solto, também revela um traço menos pormenorizado, menos expressivo (, menos
seguro…?), mais próximo do esboço, o que nalgumas cenas acaba por ter o efeito
contrário ao desejado, diluindo num todo mais impreciso os pontos fulcrais das
cenas que deveriam ter mais impacto.
A reter
- As boas recordações que este livro despertou em mim, pelo significado
de Rocher Rouge na génese deste blog.
- A perfeita ligação que Borg estabelece entre a acção dos
dois tomos.
- O ritmo elevado e o alto nível de suspense que se mantêm…
Menos conseguido
- … apesar do final algo simplista, daqueles que se utilizam
quando não se sabe bem o que fazer …
- … e da menor espectacularidade gráfica deste volume, em
perda na inevitável comparação com o tomo original.
Leituras relacionadas
Borg,
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19/04/2012
Insane
Xavier Besse (desenho)
Michael Le Galli (argumento)
Casterman (França, 28 de Março de 2012)
240 x 320 mm, 48 p., cor, cartonado
13,95 €
Resumo
Luisiana, Estados Unidos, entre as duas guerras.
No dia da libertação do pai de Betty, após 10 anos de cadeia, Clarence, um jovem adulto, prepara a evasão da adolescente da clínica psiquiátrica onde estava internada desde a morte, por overdose, da mãe.
O propósito de Clarence será reuni-la ao seu progenitor ou o seu intuito é outro uma vez que, em criança, viu o pai da menina assassinar os seus pais, tornando-o naquilo que é hoje?
Desenvolvimento
Seguindo uma temática hoje muito em voga (também) por força das muitas séries televisivas que abordam estes comportamentos desviantes, “Insane” oscila entre o tom policial e o mergulho na loucura - na insanidade, seria o termo mais óbvio – que rege a vida de Clarence.
Enquanto acompanhamos a busca – a perseguição…? - do pai de Betty – que faz tudo por permanecer na sombra, por razões que o leitor descobrirá - pelo duo a quem ligam estranhos laços não completamente esclarecidos no relato, vamos também percebendo como o passado – os traumas, a violência, a falta de laços, de afectos, de ligações estáveis – fez de Clarence e de Betty aquilo que são hoje e qual a origem de alguns dos (muitos) fantasmas que os atormentam.
Sem entrar mais na história, para não estragar o prazer da leitura, adianto apenas que o final, que deixa a sensação incómoda de que algo ficou por explicar e de que faltou aos autores o toque de genialidade para fazer da sua história algo mais do que um policial de leitura agradável, funciona como o fechar de um círculo, explicando as ligações entre os diversos protagonistas.
Graficamente, se são visíveis no desenho de Besse - e logo na capa - alguma influência de manga, não só no traço, mas também na planificação diversificada e numa boa utilização de grandes planos, justifica-se uma chamada de atenção para a utilização dos elementos gráficos condensados na terceira prancha (reproduzida abaixo), que ao longo das páginas vão balizar e marcar momentos significativos da vida de Betty. Ao mesmo tempo que funcionam como elementos de ligação entre os sucessivos saltos entre o presente e o passado, que Le Galli introduziu no relato e que fornecem ao leitor elementos que possibilitam a compreensão da trama.
A reter
- O clima tenso e misterioso que impregna “Insane”.
- A ligação gráfica feita entre os diversos momentos – alguns dos quais equiparáveis – do passado e do presente.
Menos conseguido
- Uma certa indefinição existente no desfecho do relato.
10/04/2012
Un americain en balade

Colecção écritures
Craig Thompson
Casterman (França, Janeiro de
2005)
170 x 240 mm, 224 p., pb,
brochada com badanas
13,50 €
Às vezes é difícil
escrever estas linhas. Especialmente se são sobre livros de que gostei muito. Talvez
porque (mais ou menos) inconscientemente, sinto a obrigação de escrever “ao
nível” do que li, para transmitir um pouco do que desfrutei, para convencer o
(meu) leitor a lê-lo também.

Só que nem sempre a sofisticação da escrita parece suficiente para isso. Por
isso, “Un americain en balade” (Casterman), esperou semanas pela minha
inspiração. Quando a solução talvez pudesse ser simples: tão simples como é a
escrita (em BD, entenda-se) de Craig Thompson, de uma limpidez e sinceridade
desconcertantes, de um despojamento sem máscaras nem artifícios, na forma como
se despe completamente perante os leitores, revelando gostos, influências,
estados de espírito, desejos, ambições, medos e incertezas, o que de mais
profundo há em si.
O que faz desta obra do
autor canadiano, que já nos deslumbrara com o notável e emotivo “Blankets”
(Casterman), mais do que o diário de uma viagem de dois meses à Europa e a
Marrocos, um diário íntimo, escrito/desenhado maioritariamente em quartos de
hotel, já que o autor se confessa um mau viajante e pouco dado à convivência e
ao contacto com os outros.
Uma obra a ler, devagar,
aos poucos, ao ritmo da própria criação de Thonmpson, para melhor a desfrutar. ´
(Texto publicado originalmente no Jornal de Notícias de 19 de Junho de 2005)
Curiosidade
Este é mais um tomo da colecção écrittures, já diversas vezes presente em As Leituras do Pedro, que completou 1o anos de bons serviços no passado dia 14 de Março. Conto voltar a ela, repetidamente, nas próximas semanas.
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