02/08/2014

Peninha: 50 anos estouvados












Há 50 anos, os leitores da revista Topolino #453, descobriam um novo pato Disney. Chamado Paperoga nessa versão italiana, é conhecido em Portugal como Peninha.
Descubra mais sobre ele já a seguir.


Curiosamente, essa banda desenhada, apesar de estreada em Itália, era uma criação dos Estúdios Disney norte-americanos, mais exactamente do argumentista Dick Kinney (1917-1985) e do desenhador Al Hubbard (1915-1984), responsáveis igualmente pela criação de Urtigão ou do Agente 00-Duck.
O Peninha original, aliás Fethry Duck, apresentava algumas diferenças em relação ao que conhecemos hoje: já usava a camisola comprida com a risca negra a meio, mas na altura não era amarela como nos habituámos a ver: na versão italiana surgia vermelha, embora na primeira publicação americana fosse lilás; o gorro combinava com ela, mas debaixo dele aparecia uma farta cabeleira desgrenhada e não uns poucos fios de cabelo.
O seu carácter era igualmente díspar: adepto da cultura beat e de ioga, não deixava antever ainda o herói actual, distraído, trapalhão e cheio de boas (?) ideias com maus resultados, embora já conseguisse exasperar o seu primo Donald, já de si colérico.
Não inocentemente, essa história inaugural chamava-se “The Health Nut” (algo como “Louco por saúde” – “Fome para Fortalecer” na tradução brasileira que chegou a Portugal pouco mais de um ano depois) e nela, a súbita chegada de Peninha, com estranhos hábitos alimentares, alterava completamente a pacata rotina de Donald.
Os leitores gostaram da personagem e rapidamente foram criadas novas histórias, muitas delas com assinatura dos estúdios Disney no Brasil. Dentro da tradicional estrutura das narrativas aos quadradinhos Disney, Peninha conquistou uma namorada, Glória, quase tão aluada como ele, e um sobrinho, Biquinho, muito traquinas.
Durante muito tempo colega de Donald como repórteres do jornal A Patada, propriedade do seu tio milionário Patinhas, nos anos 80 chegou a prefeito da cidade de Patópolis, tendo rapidamente conseguido que o caos se apoderasse dela.
As características do Peninha, propensas para despertar o riso, rapidamente levaram à criação, nos estúdios brasileiros, de diversos alter-egos, o mais famoso dos quais o Morcego Vermelho. Nascido em 1973, é um super-herói trapalhão, cujo esconderijo é uma lata de lixo e que utiliza para combater o crime diversos artefactos criados pelo professor Pardal, como o pula-pula-morcego, a corda-morcego ou a mota-morcego.
Pena das Selvas, uma sátira a Tarzan, e Pena Kid, um cowboy que cavalga um cavalo… de pau, foram duas outras versões do pato distraído. Curiosamente, as aventuras dos dois são criadas pelo próprio Peninha, enquanto autor das bandas desenhadas publicadas no jornal A Patada.
Pena das Cavernas, Pena Rubra, o vicking, Pena das Arábias ou Pena Submarino, foram outras versões que, no entanto, tiveram menor sucesso.
Nas histórias italianas, mais recentes, incluídas nas revistas Disney actualmente editadas em Portugal pela Goody, também faz dupla com o seu primo, mas agora como agente secreto ao serviço da P. I. A. (Patinhas Intelligence Agency), sob as identidades de Me-Se 12 e Qua-Qua 7.
Mas, 50 anos depois, com Peninha como agente secreto, jornalista, autor de BD ou ainda bombeiro, guia turístico, canalizador ou passeador de cães – outras das muitas profissões que ele já desempenhou – podemos ter certeza de uma coisa: onde ele surgir, a confusão vai instalar-se e, se estivermos deste lado do papel, vamos ter diversão pela certa.
Algo que o pobre Donald raramente experimenta!


(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 2 de Agosto de 2014)

1 comentário:

  1. Para demonstrar o meu apreço por esta figura, nas edições Disney, a primeira história que procuro é a desse... atrapalhado!

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