30/12/2011

Tif et Tondu

#7 – Enquêtes à travers le monde
Les Intégrales Dupuis
Tillieux (argumento)
Will (desenho)
Dupuis (Bélgica, Setembro de 2007)
218 x 286 mm, 160 p., cor, cartonado, 19,95 €

Resumo
Sétimo tomo dos doze previstos da reedição integral temática de Tif e Tondu, reúne os álbuns “Sorti des Abîmes” (19º da série), “Le Scaphandrier mort” (21º) e “Tif et Tondu à New York” (23º), originalmente publicados na revista “Spirou” entre 1971 e 1974, bem como um dossier sobre os autores.

Desenvolvimento
Sei que recorrentemente tenho referido aqui os volumes integrais em que as editoras francófonas têm apostado fortemente nos últimos tempos e só não me declaro viciado neles porque esse seria um vício caro – não pelo preço em si de cada tomo, altamente tentador, mas pela grande quantidade de títulos actualmente disponíveis.
E a verdade é que, neste formato, com esta roupagem, devidamente enquadradas pelos dossiers que geralmente abrem o livro, até séries, não menores mas de nível médio, como Tif e Tondu, revelam novos focos de interesse.
No presente volume, destaco mais uma vez o dossier inicial que, apesar de relativamente curto em termos de texto (da autoria do conhecedor Didier Pasamonik), é profusamente ilustrado com diversos documentos (fotografias, originais, inéditos, capas de revistas, etc.) e aborda de forma bastante completa e atractiva o método de trabalho e as rotinas de Will e Tillieux, enquadrando o seu trabalho na sua época e no âmbito da banda desenhada francófona, contribuindo assim para traçar mais um capitulo da história das histórias aos quadradinhos franco-belgas.
Tematicamente – é essa a forma que esta colecção adoptou – temos mais três aventuras de Tif e Tondu que se distinguem por os encontramos longe do seu habitat natural – em Londres, numa ilha distante do Pacífico, em Nova Iorque – onde levam a cabo os habituais inquéritos, nos quais mistério, fantástico, acção, humor e ingenuidade se complementam para proporcionar uma leitura leve mas bem disposta a quem nela se embrenhar.
Acompanhados pela bela – mas nem sempre paciente e razoável – condessa Kiki, assumindo cada um na sua vez diferentes graus de protagonismo nas narrativas, vêem-se envolvidos – sempre de forma involuntária - numa caça a um monstro marinho à solta no Tamisa, na descoberta de um segredo – um tesouro? – perdido nas profundezas marinhas e numa caça a mafiosos provocada por uma troca de malas.
Das três aventuras propostas, destaco a primeira, pelo seu tom de mistério e fantástico que mantém o suspense – e o interesse dos leitores – ao longo de mais de metade das suas páginas, criado pela expectativa do que poderá causar o suposto monstro marinho à solta nas nevoentas docas londrinas.

A reter
- O formato em si. Pela estrutura, pela recuperação de clássicos, pela boa relação qualidade/preço.
- A nostalgia provocada pelo tom saudavelmente ingénuo da série.

Menos conseguido
- Sendo uma reedição organizada tematicamente, esta colecção separa álbuns com alguma continuação, o que não faz muito sentido…

29/12/2011

Há 60 anos, o fim de O Diabrete

A 29 de Dezembro de 1951, um sábado, chegava ao fim mais uma das grandes aventuras do jornalismo infanto-juvenil em Portugal: tinha por título “Diabrete” e durante uma década tinha sido “o grande camaradão” da pequenada, como se lia no seu cabeçalho.
O seu primeiro número surgiu à venda por 50 centavos, a 4 de Janeiro de 1941, sendo propriedade da Empresa Nacional de Publicidade e tendo como director Artur Urbano de Castro. Na sua capa, pouco atractiva para os padrões actuais, apenas se destacava o cabeçalho desenhado por Fernando Bento (um dos muitos que fez para a revista).
O desenhador português, que foi um dos grandes pilares da publicação – o principal no que à BD diz respeito - assinava também as aventuras de “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”, história aos quadradinhos cómica que merecia honra de primeira página e seria publicada ininterruptamente até ao nº 255.
No “Diabrete”, Fernando Bento deixaria uma marca indelével, assinando inúmeras adaptações de clássicos de aventuras, com Júlio Verne à cabeça, sendo sem dúvida o grande nome da publicação onde também se distinguiu Vítor Péon e Fernandes Silva com o detective “O Ponto”.
A primeira grande revolução na revista, que marcaria todo o seu percurso posterior, e que contribuiu decisivamente para a saudável rivalidade que alimentou com “O Mosquito” ao longo da sua existência, aconteceu logo no vigésimo número, quando Adolfo Simões Müller assumiu efectivamente a sua direcção e também grande parte da sua produção literária, a par de Maria Amélia Barça. Como era então habitual, o “Diabrete” incluiu separatas e construções de armar, organizou concursos e espectáculos e editou romances destacáveis e alguns mini-álbuns, entre os quais “O Dragão Teimoso”, de Walt Disney.
Ainda no que diz respeito a autores estrangeiros, destaque para os irmãos Jesus, Adriano e Alejandro Blasco, e para as estreias em Portugal de “Tarzan”, de Burne Hogarth, “Rusty Riley”, de Frank Godwin, “Bob e Bobette” de Willy Vandersteen, e “Quick e Flupke” (rebaptizados Trovão e Relâmpago), de Hergé. O “Diabrete” também publicou o “Agente secreto X-9”, de Alex Raymond, e, já na sua fase final, na esteira do encerramento de “O Papagaio”, três aventuras de “Tintin”, a última das quais deixada incompleta com o fim da revista, no número 887, no final de 1951.
Uma semana depois, os leitores reencontravam o célebre repórter e outros dos heróis do “Diabrete” no número inaugural do “Cavaleiro Andante”. Mas isso, foi outra aventura. 

Nota: Àqueles que queiram aprofundar a história desta revista, aconselho a monografia “Diabrete – O grande camaradão de todos os sábados”, da autoria de José Azevedo e Menezes. 

(Versão expandida do texto publicado no Jornal de Notícias de 29 de Dezembro de 2011)

28/12/2011

Wonder Woman, sem rugas aos 70 anos

Criada por um psicólogo, como símbolo sexual, a Mulher Maravilha tornou-se rapidamente um sucesso, tornando-se um dos símbolos da DC Comics ao lado de Superman e Batman.
Se a Wonder Woman – Mulher Maravilha na versão portuguesa – não foi a primeira super-heroína da BD, é sem dúvida a mais famosa e a única com publicação contínua desde a sua estreia, em Dezembro de 1941. Isto, mesmo tendo em conta períodos de menor popularidade, devido ao contrato que o seu autor assinou com a editora – então ainda National Comics - em que garantiu a recuperação dos direitos sobre a personagem se a sua publicação fosse suspensa por mais de alguns meses.
O criador desta super-mulher, que surgia na esteira do boom de super-heróis iniciado com Superman (1938) e Batman (1939), foi o psicólogo William Moulton Marston (1893-1947), igualmente inventor do aparelho que deu origem ao polígrafo e autor de um artigo sobre o valor educacional dos comics, publicado em 1940, que fez a sua fama e levou a National a contratá-lo como consultor.
Psicólogo pouco convencional – vivia com duas mulheres! - Marston decidiu tornar-se autor de BD e fazer da sua criação de papel uma bandeira das ideias que defendia: a liberdade sexual e a superioridade das mulheres. Por isso, nas suas histórias iniciais da Wonder Woman, multiplicam-se-se as alusões sexuais e cenas de interpretação dúbia, que contrastavam com a ingenuidade que então caracterizava as bandas desenhadas de super-heróis. Isto, apesar de a nova heroína, desenhada por Harry Peter, nascida em plena II Guerra Mundial e apropriadamente vestida com um sumário uniforme que evoca a bandeira dos Estados Unidos, ter começado por combater os nazis.
Após a estreia em “Introducing Wonder Woman”, BD de 8 páginas publicada na revista “All-Star Comics” nº 8, datada de Dezembro de 1941, a Mulher Maravilha regressaria em Janeiro de 1942, protagonizando já a capa de “Sensation Comics” nº1, onde Marston narrava a sua origem: vivia na Ilha Paraíso, situada no Triângulo das Bermudas, que era o lar das amazonas que possuíam o dom da eterna juventude e onde não havia homens. O despenhamento de um avião pilotado pelo coronel Steve Trevor da Força Aérea Americana – com quem a heroína viria a casar anos mais tarde – levou-a a tratar dele e a transportá-lo para os Estados Unidos.
Demonstrando grande à-vontade com armas tradicionais como espadas, arcos e flechas, lanças e escudos, a Wonder Woman possuía igualmente duas pulseiras indestrutíveis com as quais se defendia dos tiros, um laço mágico que se estica indefinidamente e obriga quem é amarrado por ele a dizer a verdade e uma tiara que podia ser usada como bumerangue.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, passou por uma fase atípica e pouco estimulante, na qual defrontou todo o tipo de vilões e ameaças extraterrestres, tendo inclusive tido um estranho avião a jacto invisível para se deslocar.
A estreia da Wonder Woman no pequeno ecrã aconteceu em 1973, numa versão animada da Liga da Justiça que duraria até 1986. Já neste século, regressaria de novo ao lado de Batman, Superman e outros super-heróis, numa série que reflectia as novas orientações das bandas desenhadas.
A primeira película com actores de carne e osso teve lugar em 1974 – depois de uma tentativa gorada em 1967 - num filme protagonizado por Cathy Lee Crosby. Um anos depois, iniciava-se uma das mais fiéis e celebradas adaptações que as histórias aos quadradinhos de super-heróis já tiveram na televisão, a Wonder Woman protagonizada por Lynda Carter. Os 59 episódios divididos por três temporadas, exibidos entre 1975 e 1979, tiveram na banda desenhada a sua principal fonte de inspiração, incluindo o improvável avião invisível.
Já este ano falou-se no possível regresso da super-heroína ao pequeno ecrã, desta vez interpretada por Adrianne Palicki, mas o episódio-piloto entretanto produzido por David E. Kelley, foi reprovado pela NBC.
Ao longo dos seus 70 anos, tendo passado pelas talentosas mãos de Dennis O’Neil, George Pérez, Mike Deodato, John Byrne, Greg Rucka, Gail Simone ou Brian Azzarello, a Wonder Woman, teve a sua origem e identidade reformulada várias vezes, foi substituída em diversas ocasiões – numa das quais pela mãe, a rainha Hipólita –, teve a companhia de três Wonder Girl, flirtou com Superman e Batman, viveu em universos paralelos, integrou várias formações da Liga da Justiça, morreu e ressuscitou como a indústria dos comics nos habituou nos últimos anos e chegou mesmo a matar um vilão, algo invulgar nas narrativas de super-heróis. 
















(Versão expandida do texto publicado no Jornal de Notícias de 6 de Dezembro de 2011)

27/12/2011

As Figuras do Pedro (XI)

Tintin

Figuras: Tintin, Milu, Haddock, Dupont, Dupond, Cavaleiro de Hadoque, Sackharine, Rackham, Alan segundo o seu visual no filme
Fabricante/Distribuidor: Plastoys
Ano : 2011
Altura : 3 a 6 cm
Material: PVC
Preço: 24,90 €, na FNAC


Uma bela prenda que recebi este Natal...

26/12/2011

Burne Hogarth

O maior desenhador de Tarzan 
O norte-americano Burne Hogarth, considerado por muitos o maior desenhador de Tarzan nos quadradinhos, nasceu a 25 de Dezembro de 1911, fez ontem exactamente 100 anos.
Natural de Chicago, revelou tendência para o desenho desde pequeno, o que levou o seu pai, um simples carpinteiro, a fazer poupanças de modo a inscrevê-lo no Art Institute of Chicago, onde foi admitido aos 12 anos, tendo aprofundado os seus conhecimentos de arte, anatomia e ciências.
Três anos depois, devido ao falecimento do pai, Hogarth teve que começar a trabalhar em publicidade. Em 1929, teve o primeiro contacto com os quadradinhos, como desenhador da tira diária Ivy Hemmanhaw, de pouco sucesso.
Como consequência da Grande Depressão, mudou-se para Nova Iorque, tendo começado a trabalhar como assistente para o King Features Syndicate em 1934, onde, após ter desenhado uma série de piratas, Pieces of Height (1935), sucederia a Hal Foster (futuro criador do Príncipe Valente) na prancha dominical de Tarzan, onde se estreou a 9 de Maio de 1937.
A mudança de artista trouxe progressivamente alterações gráficas à série, na qual Hogarth empregou os seus conhecimentos de anatomia e de arte, combinando classicismo e expressionismo, para obter pranchas de uma grande plasticidade, extremamente dinâmicas e de um esplendor barroco, com um retrato realista e selvagem do herói e dos indígenas e animais com quem se cruzava e que Portugal viu pela primeira vez no Diabrete #101, de 5 de Dezembro de 1942.
A sua ligação ao rei da selva, que revolucionou a forma de narrar aos quadradinhos e lhe valeu o epíteto de “Miguel Ângelo da BD”, prosseguiria até 1950, com um ligeiro interregno (1945-1947) durante o qual se dedicou ao desenho de Drago, uma obra pessoal.
Paralelamente, Hogarth começou também a ensinar desenho na School of Visual Arts, que ajudou a fundar, tendo passado a dedicar-se inteiramente ao ensino após abandonar Tarzan, devido a desentendimentos sobre questões financeiras e de direitos de autor, leccionando disciplinas práticas e de história das artes e escrevendo e desenhando manuais de anatomia que se tornaram uma referência para gerações de artistas.
O apelo da selva e de Tarzan far-se-ia ouvir de novo já na década de 1970, quando recriou em BD dois livros baseados na personagem de Edgar Rice Burroughs que, pela sua qualidade e inovação – duas autênticas graphic novels antes do tempo - lhe valeram diversos prémios.
A morte encontrou-o em Paris, França, a 28 de Janeiro de 1996, um dia após ter sido justamente homenageado no Festival Internacional de BD de Angoulême.








(Texto publicado no Jornal de Notícias de 25 de Dezembro de 2011)
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