A banda
desenhada belga perdeu ontem mais uma das suas referências. Colaborador das
revistas “Spirou”, “Pilote” e “Tintin”, Eddy (Edouard) Paape faleceu aos 91
anos.
Natural de Grivegnée,
próximo de Liége, na Bélgica, onde nasceu a 3 de Julho de 1920, Paape teve
formação em pintura e ilustração no Institut saint-Luc, tendo conhecido, em
1942, durante a II Guerra Mundial, num estúdio de animação onde trabalhou,
Franquin, Morris e Peyo, de quem viria a ser parceiro na revista “Spirou”, sob
a égide de Jijé.
Curiosamente,
um ano depois, esse estúdio marcaria, de uma outra forma, a sua vida poi, na
sequência dos ferimentos sofridos num incêndio que nele teve lugar, seria
tratado por uma enfermeira, Laurette Beer, sua futura esposa com quem ainda era
casado.
Quando Jijé partiu para os Estados Unidos,
Paape “herdou” Jean Valhardi, escrito sucessivamente por Jean Doisy, Yvan
Delporte e jean-Michel Charlier, que desenhou durante 8 anos e se tornou a
primeira grande referência da sua carreira nos quadradinhos. Ainda na “Spirou”
desenhou as primeiras “Belles Histoires de L’Oncle Paul”, a partir de 1951, e
animou diversas rubricas.
Acumulando
colaborações e parcerias, sob vários pseudónimos, para diversos títulos, Paape
voltaria a destacar-se em 1958, com a criação das aventuras de Marc Dacier,
mais uma vez com argumentos de Charlier.
Depois de
colaborar na “Pilote” com bandas desenhadas curtas, entre 1960 e 1966, ainda neste
último ano estrear-se-ia no “Tintin” belga onde, no ano seguinte, lançaria a
sua mais conhecida criação, Luc Orient,
uma série de ficção-científica (temática então praticamente ausente da revista)
de tomo moderno e filosófico, com preocupações pacifistas e ecologistas,
escrita por Greg.
“Tommy
Banco” (1970), “Yorik des Tempêtes” (1971) e “Udolfo” (1978) foram outras
séries que desenhou para a “Tintin”, encontrando-se igualmente na sua vasta
bibliografia títulos como “Les Jardins de la Peur” (em 1988, com Jean Dufaux) e
“Johnny Congo” (1992, com Greg), sendo de assinalar igualmente a sua vertente
de professor de desenho, no Institut Saint-Luc.
Os leitores
portugueses descobriram-no a 22 de Dezembro de 1956, no “Cavaleiro Andante”
#260, com uma versão aos quadradinhos da morte de Cristo. O especial de Natal
desse ano estreava Jean Valhardi, que regressaria na série regular, nos
fascículos #393 e #433, sempre rebaptizado… Pedro Valente.
“Marc Dacier”
no “Zorro” #1 (1962) e “Douglas Bader” no Jacto #50 (1972) seriam outras
histórias de Paape publicadas em Portugal.
A sua marca
mais forte, no entanto, foi deixada na versão nacional do “Tintin”, onde foram
publicadas 12 histórias de Luc Orient, a partir do #143 (1969), a par de algumas
histórias curtas. O herói regressaria ainda nas “Selecções do Mundo de
Aventuras” #251 (1982). A Livraria Bertrand editou 3 álbuns, entre 1974 e 1977,
a que se juntou um quarto, muitos anos depois, em 2009, na colecção “Clássicos
da revista Tintin” (ASA/Público).
Quanto a “Yorik
das tempestades”, foi publicado no “Mundo de Aventuras” #240, de 1978, e nas “Selecções
do Mundo de Aventuras” #248 (1982), revistas que também publicaram diversas das
suas histórias curtas.
Mais uma triste notícia para o mundo da BD... mais uma lenda que desaparece!!
ResponderEliminarAinda tenho os três livros do Luc Orient editados pela editora Bertrand que guardo com muita estima... agora ainda mais.
Um abraço.
Olá Lucaimura,
EliminarA partida de qualquer um daqueles que nos fez sonhar e/ou pensar com as suas obras é sempre uma notícia triste.
Tens mais sorte do que eu, porque não tenho nenhuma das edições da Bertrand do Luc Orient...
Boas (re)leituras de obras de Eddy Paape!