Tal como a Julia Kendall, também não consigo resistir a Berthet. Num caso pelas tramas envolvidas, aqui pelo traço belo linha clara do autor francês que em De l’autre Côté de la frontière nos narra, em parceria com Fromental, um estranha episódio pseudo-biográfico do escritor Georges Simenon por interposta pessoa.

A
descoberta neste álbum das suas práticas (devassas) quando viveu
nos Estados Unidos - como Jijé, Morris e Franquin, na
mesma época, o
final dos anos 1940, temendo uma escalada atómica, como narrado no muito aconselhável Gringos Locos - foi por isso uma autêntica surpresa.
Passemos
então ao livro. O protagonista é François Combe, não por acaso
escritor de romances policiais de sucesso, ou
não fosse nlivremente
inspirado em Simenon, como revela no final o argumentista Jean-Luc
Fromental.

Pouco
depois de deixarem o local, Raquel é encontrada selvaticamente
assassinada, recaindo as suspeitas sobre os dois homens. Combe
começa a inquirir para tentar descobrir o que se passou, mas nos
dias seguintes, outras prostitutas aparecem
também
mortas.
Começa
assim uma sólida história policial, marcada pela liberdade das
relações do romancista - e dos efeitos (nefastos) que elas têm nos
que lhe são mais próximos - em que se vão acumulando dúvidas e
incertezas, ao mesmo tempo que são vincadas as diferenças profundas
- sociais, económicas… - entre os que vivem de um lado e do outro
da linha imaginária a que chamamos fronteira.
Tudo
isto - e o belo traço de Berthet, reforço, perfeitamente ajustado
ao relato - e a teia de relações que se vai criando e descobrindo,
faz com que o leitor devore página após página até encontrar as
respostas que procura.
De
L’autre côté de la frontière
Jean-Luc
Fromental (argumento)
Philippe
Berthet (desenho)
Dargaud
França,
6 de Março de 2020
220
x 288 mm, 72 p., cor, capa dura
EAN:
9782505084648
15,99
€
(imagens
disponibilizadas
pela Dargaud;
clicar nelas
para as aproveitar em toda a sua extensão)
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