Todos
temos um filme de Spielberg preferido, todos temos filmes de
Spielberg entre os nossos preferidos, muito
possivelmente um deles pode ser - foi, sem dúvida, a determinada
altura - o ‘filme da nossa vida’, portanto, na actual moda de
biografar a torto e a direito e em todas as direcções - com tudo o
que o ‘género’ tem de bom e de mau e os excessos potenciam -
nada mais natural do que contar a vida do realizador em banda
desenhada.
Se
começou por ser cómica, daí a sua designação americana, e se se
expandiu ao vestir traço realista para narrar todo o género de
aventuras, a banda desenhada, que aos poucos assumiu também o género
histórico e a adaptação de romances e filmes, em décadas recentes
tem demonstrado à exaustão a sua capacidade para servir todas as
temáticas. A autobiografia, por exemplo ou, mais além e
ousadamente, a reportagem ou reflexões sobre a sociedade, o nosso
mundo, a sua viabilidade e o seu futuro, têm comprovado a
pluralidade e todo o potencial de uma forma narrativa que durante
muitos anos foi considerada por muitos “para as crianças”.