Fernando Bento - O cavaleiro misterioso |
Júlio Resende - Arrepiado e Freitas cow-boys |
Por isso, dessa época, ficaram títulos que fizeram sonhar gerações de leitores: “Falsa Acusação”, “O Juramento de Dick Storm”, “Três balas”, “A vingança do jaguar” (todos de Vítor Péon), “O rei da Campina” (António Barata), “Falcão Negro, o filho de Jim West”, “Lobo Cinzento”, “O Grande Rifle Branco” (de E.T. Coelho), “O Vale da Morte” (Jayme Cortez), “O segredo das águas do rio” (José Garcês) ou “Os Cavaleiros do Vale Negro” (José Ruy).
ET Coelho Falcão Negro: Tempestade no Forte Benton |
Vítor Péon Tomahawk Tom - O Aventureiro |
Augusto Trigo - A sombra do Gavião |
José Pires - Will Shanon |
Nesta evocação do western, duas obras aos quadradinhos merecem uma referência à parte, uma vez que a sua acção se situa em Portugal.
Pedro Massano - Mataram-no duas vezes |
João Amaral - O fim da linha |
Agora, tantos anos depois de “O cavaleiro Misterioso”, se muitos cowboys “portugueses” ficaram por relembrar neste texto, a quem com eles viveu grandes aventuras em pradarias ensolaradas, desertos tórridos ou canyons profundos, defendendo belas mulheres, perseguindo bandidos ou fugindo dos índios, aconselha-se a (re)leitura dos quadradinhos que há décadas os fizeram sonhar, se bem que a maior parte deles não seja fácil de encontrar…
Nota: sendo esta abordagem obrigatoriamente breve - e por essa razão nela só foram referidos os desenhadores, sendo esta uma injustiça para os argumentistas que reconheço - a quem quiser aprofundar o tema aconselha-se a leitura de “O Western na BD portuguesa” e “Vítor Péon e o Western” (ambos editados pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do Salão de BD local, integrados no esforço louvável que esta autarquia tem feito no sentido de recuperar algum do património português aos quadradinhos), dois estudos profusamente ilustrados e da autoria de Jorge Magalhãdes, possivelmente o maior especialista português no género. E de onde foram retiradas, aliás, com a devida vénia, muitas das imagens que acompanham o presente texto.
Sobre o mesmo tema ler também:
- O Western da BD portuguesa: depoimentos de Jorge Magalhães e João Paulo Paiva Boléo
- O Western da BD portuguesa: depoimentos de José Ruy e João Amaral (dia 20 de Julho)
Galeria
António Barata - O Rei da Campina |
António Ruivo - Shannon |
Augusto Trigo Wakantanka: O bisonte negro |
Augusto Trigo Wakantanka: O povo serpente |
Caelos Botelho - aventuras do Cow-boy Jim Boy |
ET Coelho - O Grande Rifle Branco |
ET Coelho - Falcão Negro |
Jayme Cortez - O vale da morte |
José Garcês - O segredo das águas do rio |
José Ruy - os Cavaleiros do Vale Negro |
José Pires - Homens do Oeste |
José Pires - Irigo |
José Pires - Will Shanon |
Oskar Lobo Aventuras de "Tom Migas" e do seu cavalo "Caralinda" |
Pedro Massano - Mataram-no duas vezes |
Vítor Péon - A Vingança do Jaguar |
Vítor Péon - A Vingança do Jaguar |
Vítor Péon - O juramento de Dick Storm |
Vítor Péon - Três balas |
Vítor Péon - Jerry Colt: o bando da cidade perdida |
Vítor Péon - Tomahawk Tom |
Vítor Péon - esboço de Tomahawk Tom |
(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 17 de Julho de 2011)
Olá Pedro! Bela síntese sobre o tema! Só uma correcção: O livro do Pedro Massano, "Mataram-no Duas Vezes", não é sobre o Zé do Telhado, mas sim sobre o João Brandão, mais conhecido como "o terror das Beiras", pois actuava principalmente na zona de Viseu e Tondela. Abraço.
ResponderEliminarExcelente temática que desconhecia!!! Fantástico se houvesse uma reedição, ou compilação destas obras antigas.
ResponderEliminarParabéns por mais um artigo excelente.
n u n o n o b r e
Caro Pedro,
ResponderEliminarRenovo os meus elogios ao seu artigo, na versão do blogue muito mais completo e homogéneo, sem dúvida, do que o que foi publicado pelo JN. Ainda bem que se lembrou de noticiar esta efeméride, homenageando o Fernando Bento e o nascimento em Portugal das histórias de "cowboys" de índole realista, embora eu considere, como já referi várias vezes, que o primeiro "western" verdadeiramente fiel às premissas do género foi "Falsa Acusação", publicado n'O Mosquito em 1943, por sinal a história de estreia de Vítor Péon, o grande dinamizador do género na BD portuguesa.
Obrigado também, e a propósito, por me considerar um especialista de renome. O maior não serei, decerto, porque há sempre, algures, quem saiba mais do que nós, mesmo nas matérias que dominamos com alguma desenvoltura. Achei curioso que incluísse no seu texto uma referência ao excelente "Mataram-no Duas Vezes", do Pedro Massano. Embora seja uma singular transposição desta temática para um imaginário português, discordo da opinião do Paiva Boléo, pois faltam-lhe, na minha óptica, os elementos essenciais do "western" relativos a tempo, acção e lugar, ou seja, o genuíno toque dos "westerns" clássicos, em que prevalecem as convenções e a ortodoxia do fundo sobre a forma. Quanto a "O Fim da Linha", do João Amaral, cuja génese eu próprio acompanhei com interesse nas Selecções BD, há, de facto, uma correspondência de fundo e de forma, por se basear num filme célebre, acompanhando a par e passo a linha narrativa (com uma expedita utilização de "raccords" e a sincronização do tempo, habilmente conjugada com a montagem de planos, numa espécie de desafio à perspicácia do leitor!). Ao lermos a história, temos sempre presentes as cenas do filme, o que torna plausível a transferência para um cenário diferente, numa época contemporânea. Mas, para mim, "O Fim da Linha" passa pela reinvenção de uma fórmula clássica, sob a capa de um "western" moderno, categoria que não existe, embora testemunhe o grande amor cinéfilo do João Amaral pelo género e particularmente pelo filme do Fred Zinemman, agora finalmente disponível em DVD.
Para terminar, uma ressalva: as aventuras de Tomahawk Tom são 15, todas publicadas em Portugal. Eu próprio cometi esse erro num dos meus trabalhos, posteriormente rectificado no caderno sobre os "westerns" de Vítor Péon, editado este ano no âmbito do Salão de Moura, que contém a lista completa das aventuras de Tomahawk Tom.
Outra observação, mas sem qualquer espécie de melindre: na nota final do seu texto, desculpa-se por não ter mencionado os argumentistas, o que é compreensível, mas na verdade incluiu o Luís Avelar, autor do guião de "Mataram-no Duas Vezes".
Um abraço do
Jorge Magalhães
Excelente texto sobre uma temática que é das minhas preferidas em banda desenhada. Esta viagem no tempo é um pau de dois gumes, primeiro porque traz-nos à memória grandes autores portugueses e grandes publicações que existiram e depois porque no regresso à actualidade vemos o vazio que existe hoje em termos de publicações e de produção portuguesa de westerns. Abraço
ResponderEliminarJoão Miguel,
ResponderEliminarMais uma vez, obrigado pela visita e pela atenção. A correcção já foi introduzida no texto.
Nuno Nobre,
Sim, há um enorme vazio entre na nós na reedição de clássicos, mesmo que apenas de forma selectiva. Para além do trabalho meritório mas de divulgação limitada da C. M. Moura, o resto é quase nada...
Jorge Magalhães:
Obrigado por tudo o que pude aprender consigo. Percebo e aceito a opinião do Paiva Boléo quanto ao "Mataram-no duas vezes", embora compreenda a sua discordãncia. Mas, independentemente disso, é uma obra que merece ser lida.
E tem razão quanto ao Luís Avelar, escapou-se-me para o texto! O que acaba por ser injusto para nomes como Roussado Pinto e Raul Correia para além, claro está, do próprio Jorge Magalhães!
Verbal,
Pois, eu também li muitas destas obras há uns aninhos e vibrei com algumas delas...
E hoje, não existe nada no western (temática de alguma forma "fora de moda") mas também pouco há no restante...
Um grande abraço a todos!
Caro Pedro,
ResponderEliminarFoi com prazer que li os comentários ao seu artigo, bem assim como o depoimento do Paiva Boléo, ontem publicado. E este suscita-me uma reflexão e uma dúvida, em relação ao próprio comentário que inseri horas antes e da nota a propósito do "Mataram-no Duas Vezes", pois verifico agora que o Paiva Boléo (crítico e investigador de grande craveira intelectual, a quem muito estimo e admiro) não fez sobre essa história do Pedro Massano e do Luís Avelar uma afirmação concludente, mas sim com algumas reticências, deixando à discussão as suas analogias com a temática "western".
Por isso, embora mantendo o que escrevi, dentro de uma óptica mais "purista", chamemos-lhe assim, não quero que a alusão ao Paiva Boléo, por causa da minha primeira leitura das suas afirmações, no artigo do Pedro Cleto, possa parecer uma crítica directa ou uma tentativa de confronto.
Um cordial abraço para ambos.
Jorge Magalhães
Caro Jorge magalhães,
ResponderEliminarFica o seu esclarecimento e as minhas desculpas se de algum modo deturpei o que o Paiva Boléo pretendia dizer.
Um abraço!