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23/03/2023

Zodiako

'Outro' Jayme Cortez...


Outra vez Jayme Cortez, depois de O Terror Negro, no volume inicial da colecção que a Polvo achou por bem - e muito bem! - dedicar-lhe, organizada por Fabio Moares.

Depois do terror puro, agora é a vez do super-herói Zodiako, já parcialmente publicado entre nós na Riquiqui, da Portugal Press, no longínquo ano de 1979. Ou talvez não propriamente super, mas indiscutivelmente herói.

26/12/2022

O Terror Negro

Recordar...






Recordar Jayme Cortez e a sua obra marcante no género de terror.

11/11/2022

Outros mercados

Em anos recentes, tem-se falado - e escrito - recorrentemente como o mercado português de banda desenhada tem crescido. Por um lado, na quantidade, que é visível nas estantes e nas bolsas vazias de quem compra BD; por outro, na qualidade, que é inegável, de obras e edições. E, num terceiro aspecto não menos importante, na diversificação de públicos, tendo acabado de vez - penso eu - a velha ideia de que há em Portugal um pequeno núcleo de leitores de BD que compra tudo.
O recente Amadora BD mostrou este mesmo mercado a dar mais um salto em frente, ao serem propostas obras que recuperam clássicos nacionais ou que reflectem sobre a BD - nacional, mas não só...

08/02/2022

Fronteiras do Além

Um português no Brasil...



Até ao fim da ditadura no nosso país - aqui considerada apenas como marco temporal, embora não isenta de responsabilidades - houve dois autores que fizeram carreira de sucesso fora das nossas fronteiras.
Um, naturalmente, foi Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), apreciado em Espanha, França, Itália, tanto na BD como na ilustração.
O outro, foi Jayme Cortez (1926-1987), que o Brasil acolheu a partir de 1947.

18/07/2011

O Western na BD portuguesa

Fernando Bento - O cavaleiro misterioso
Há 70 anos, era publicado no Pim-Pam-Pum, “O cavaleiro Misterioso”, que alguns consideram o primeiro autêntico western português, pelo tom realista da sua narrativa, apesar do traço ainda semi-caricatural do seu autor, Fernando Bento.Não que antes, não tivesse havido outras incursões neste género, mas eram todas de carácter humorístico. Entre elas, João Paiva Boléo, estudioso da BD portuguesa, destaca “A grande fita americana” (ABC, 1920, de Cottinelli Telmo), “As estupendas façanhas do Cow-boy façanhudo” (ABC-zinho, 1926, de António Cristino) ou “Aventuras de Tom Migas e do seu cavalo Caralinda” (Senhor Doutor, 1934, de Oskar Pinto Lobo). A estes, Jorge Magalhães, possivelmente o maior especialista do género em Portugal, acrescenta “Aventuras do Cow-Boy Jim Boy” (ABC-zinho, 1927, de Carlos Botelho) e, já mais tarde, “Arrepiado e Freitas cow-boys” (Papagaio, 1942), uma das muitas incursões na BD do mestre Júlio Resende.
Júlio Resende - Arrepiado e Freitas cow-boys
O género teve grande importância entre nós nas décadas de 40 e 50 – acompanhando a relevância que também teve no cinema – para depois, aos poucos ir perdendo popularidade. Não surpreende por isso que os grandes títulos do jornalismo infanto-juvenil português – Papagaio, Mosquito, Diabrete, Camarada, Cavaleiro Andante, Mundo de Aventuras – e os grandes autores da época tenham dado (pelo menos) uma voltinha… a cavalo! Mesmo quando este género não tem “uma incidência muito grande no conjunto de bonecos que tenho feito”, como reconhece José Ruy.
Por isso, dessa época, ficaram títulos que fizeram sonhar gerações de leitores: “Falsa Acusação”, “O Juramento de Dick Storm”, “Três balas”, “A vingança do jaguar” (todos de Vítor Péon), “O rei da Campina” (António Barata), “Falcão Negro, o filho de Jim West”, “Lobo Cinzento”, “O Grande Rifle Branco” (de E.T. Coelho), “O Vale da Morte” (Jayme Cortez), “O segredo das águas do rio” (José Garcês) ou “Os Cavaleiros do Vale Negro” (José Ruy).
ET Coelho
Falcão Negro: Tempestade no Forte Benton
Dos autores citados, dois – Coelho e Péon - destacaram-se pela qualidade e quantidade da sua produção, sendo também responsáveis pelos dois maiores heróis regulares que os westerns portugueses nos legaram. Coelho desenhou Falcão Negro, protagonista de quatro aventuras, publicado também em Espanha e no Brasil.
Vítor Péon
Tomahawk Tom - O Aventureiro
Péon, deu vida a Tomahawk Tom, que viveu treze histórias, depois de saltar (literalmente) da prancha de Péon, em 1950, no Mundo de Aventuras. Com um visual marcante assente no poncho franjado, faca à cintura e mocassins índios nos pés, teve versão francesa com o nome invertido (Tom Tomahawk) e uma tentativa frustrada de venda ao King Features Syndicate, distribuidor das principais bandas desenhadas norte-americanas.
Augusto Trigo - A sombra do Gavião
Péon, depois de longo período emigrado em França e Inglaterra, após o 25 de Abril regressou a Portugal, tendo auto-editado um álbum – “O regresso de Tomahawk Tom” – e 3 números do “Vítor Péon Magazine”. Nessa mesma década de 70, o seu herói seria recuperado pelo Jornal do Cuto e o Mundo de Aventuras, sendo justamente consagrado em 2004 numa emissão filatélica dos CTT, dedicada aos “Heróis Portugueses da BD”.
José Pires - Will Shanon
Mais tarde, os anos 70 e 80 assistiram ao recrudescer do género, destacando-se então Augusto Trigo, com “A sombra do gavião” e “Wakantanka”, centrado na vida e crenças dos índios, e José Pires, com “Homens do Oeste”, “Will Shanon” ou “Irigo”, este último com sete aventuras publicadas no Tintin belga e holandês mas inéditas em português.
Nesta evocação do western, duas obras aos quadradinhos merecem uma referência à parte, uma vez que a sua acção se situa em Portugal.
Pedro Massano - Mataram-no duas vezes
A primeira é “A lei do trabuco e do punhal - Mataram-no duas vezes”, de Luís Avelar e Pedro Massano, primeiro (e único) tomo de uma biografia (incompleta) de João Brandão, uma espécie de Zé do Telhado que viveu nas Beiras, que Paiva Boléo considera “um western bem português”.
João Amaral - O fim da linha
O segundo, publicado originalmente na revista Selecções BD, é “O Fim da Linha”, “uma homenagem a O Comboio Apitou Três Vezes, de Fred Zinneman”, revela João Amaral, o seu autor, que acrescenta “que a acção se passa numa aldeia portuguesa, no último dia do ano 2000, mas em tudo é um western, apesar da época ser a actual”.
Agora, tantos anos depois de “O cavaleiro Misterioso”, se muitos cowboys “portugueses” ficaram por relembrar neste texto, a quem com eles viveu grandes aventuras em pradarias ensolaradas, desertos tórridos ou canyons profundos, defendendo belas mulheres, perseguindo bandidos ou fugindo dos índios, aconselha-se a (re)leitura dos quadradinhos que há décadas os fizeram sonhar, se bem que a maior parte deles não seja fácil de encontrar…
Nota: sendo esta abordagem obrigatoriamente breve - e por essa razão nela só foram referidos os desenhadores, sendo esta uma injustiça para os argumentistas que reconheço - a quem quiser aprofundar o tema aconselha-se a leitura de “O Western na BD portuguesa” e “Vítor Péon e o Western” (ambos editados pela Câmara Municipal de Moura, no âmbito do Salão de BD local, integrados no esforço louvável que esta autarquia tem feito no sentido de recuperar algum do património português aos quadradinhos), dois estudos profusamente ilustrados e da autoria de Jorge Magalhãdes, possivelmente o maior especialista português no género. E de onde foram retiradas, aliás, com a devida vénia, muitas das imagens que acompanham o presente texto.

Sobre o mesmo tema ler também:
- O Western da BD portuguesa: depoimentos de Jorge Magalhães e João Paulo Paiva Boléo
- O Western da BD portuguesa: depoimentos de José Ruy e João Amaral (dia 20 de Julho)

Galeria
António Barata - O Rei da Campina

António Ruivo - Shannon

Augusto Trigo
Wakantanka: O bisonte negro

Augusto Trigo
Wakantanka: O povo serpente


Caelos Botelho - aventuras do Cow-boy Jim Boy


ET Coelho - O Grande Rifle Branco

ET Coelho - Falcão Negro

Jayme Cortez - O vale da morte

José Garcês - O segredo das águas do rio

José Ruy - os Cavaleiros do Vale Negro

José Pires - Homens do Oeste

José Pires - Irigo

José Pires - Will Shanon

Oskar Lobo
Aventuras de "Tom Migas" e do seu cavalo "Caralinda"

Pedro Massano - Mataram-no duas vezes

Vítor Péon - A Vingança do Jaguar

Vítor Péon - A Vingança do Jaguar

Vítor Péon - O juramento de Dick Storm


Vítor Péon - Três balas

Vítor Péon - Jerry Colt: o bando da cidade perdida

Vítor Péon - Tomahawk Tom

Vítor Péon - esboço de Tomahawk Tom


(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 17 de Julho de 2011)

07/06/2011

Jayme Cortez


Intitula-se apenas Jayme Cortez e é um blog que tem por objectivo “tornar acessível ao maior número de pessoas a obra do Mestre Cortez”, escrevem na sua apresentação Jayme Cortez Filho e Fabio Moraes, responsáveis pela iniciativa. Em entrevista recente, este último revelou que “o blog faz parte de um projecto maior que é a publicação de um livro de arte que estou a escrever sobre a vida e, principalmente, a obra de Jayme Cortez, ainda sem data de lançamento”.
Jaime Cortez Martins nasceu em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926. Depois de curtas investidas nas histórias aos quadradinhos no Pim-Pam-Pum!, suplemento de O Século, em 1941, estreou-se no Mosquito em 1943 com “Uma Estranha Aventura”. Naquele jornal infantil, que marcou uma época e várias gerações, publicaria mais uma mão cheia de bandas desenhadas, com incursões no fantástico, no western e na ficção-científica, entre as quais “Os 2 amigos na cidade dos monstros marinhos” e “Os Espíritos assassinos”. Comum a todas elas era o protagonismo entregue a miúdos – inspirados nos seus amigos do Bairro Alto –, o realismo do traço baseado em modelos vivos e o grande dinamismo das histórias cujo argumento também assinava.
Em 1947, partia para o Brasil, em busca de melhores oportunidades e do sonho da quadricromia. Para ultrapassar as dificuldades, Cortez foi jornalista, ilustrador, cartoonista, autor, professor e autor de livros sobre ilustração e histórias aos quadradinhos, director de Arte dos Estúdios Maurício de Sousa e fez parte da organização da “Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos”, que teve lugar em São Paulo, em 1951, e ficou como primeiro evento de género realizado em todo o mundo.
Tendo adoptado a nacionalidade brasileira em 1957, é considerado um dos grandes mestres dos quadradinhos do Brasil, onde, entre outras, criou “O retrato do mal” ou “Zodíaco”. Distinguido com o troféu Caran d’Ache, pelo Festival de Banda Desenhada e Cinema de Animação de Lucca (Itália), na categoria Uma vida dedicada à Banda Desenhada, Jayme Cortez viria a falecer a 4 de Julho de 1987, em São Paulo.
O blog, disponível desde há poucas semanas, é actualizado diariamente e destaca-se pela divulgação de documentos inéditos ou pouco conhecidos, que podem ser divididos em dois grandes grupos. Por um lado, os que estão relacionados com a sua vida pessoal: fotos de várias épocas, em que se destacam aquelas em que surge com autores de renome mundial como Stan Lee ou Maurício de Sousa, ficheiros de áudio ou vídeo com entrevistas.
A par deles, uma vez que o blog pretende ser essen-cialmente visual, com os textos reduzido ao mínimo indispensável, surgem as reproduções de aspectos diversos da sua obra multifacetada, dividida entre a banda desenhada, a ilustração, a publicidade, a televisão e o cinema. Em muitos casos – capas de livros, ilustrações, desenhos publicitários, pranchas de BD - são mostradas as várias fases do seu labor criativo, desde os primeiros estudos até ao desenho definitivo e posterior aplicação da cor. São igualmente referidas algumas curiosidades, como o facto de ter sido Cortez a desenhar a capa do nº 1 da revista de Bidu, um dos primeiros heróis de Maurício de Sousa.
Os autores do blog, que o actualizam diariamente, solicitam a colaboração de todos os que possuam documentos ou publicações relacionados com Cortez, pois a intenção é que ele se transforme se num autêntico museu virtual.




(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 26 de Maio de 2011)
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