Peço
emprestada a Sophia de Mello Breyner Andresen uma frase emblemática
de O
Cavaleiro da Dinamarca:
“(…)
as histórias tantas vezes ouvidas pareciam cada ano mais belas e
mais misteriosas (...)” E
é isto que a BD tem feito, muitas vezes, nos últimos anos: pegar em
histórias ‘tantas
vezes ouvidas’,
dar-lhes uma roupagem diferente, apropriada à linguagem dos
quadradinhos que as recontam, e torná-las ‘mais belas e
misteriosas’.
Diz-se
que a cada nova leitura, um livro proporciona novas pistas, novas
descobertas, novas interpretações até. É isso que encontramos em
Dom
Quixote de la Mancha,
reinterpretado pelos irmãos gémeos Paul e Gaëtan Brizzi que, à
nossa nova leitura, acrescentam a sua visão desenhada. E
- permitam-me escrever - que visão!
Não
é a primeira vez que a banda desenhada adapta O
Inferno de Dante,
incluindo uma versão Disney de texto integral, mas possivelmente o
horror e a grandiosidade daquele local de castigo eterno, capaz de
provocar temores no mais corajoso e íntegro, nunca foram retratados
de uma forma tão magnífica e espectacular como nesta versão dos
irmãos Paul e Gaëtan Brizzi, que A Seita e a Arte de Autor
disponibilizaram em português desde a passagem do primeiro pela edição deste ano do Maia BD.