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23/09/2018

Perigo Electrónico

Efemérides

- 10 anos após a estreia da Turma da Mônica Jovem...
- 34 anos após Maurício de Sousa e Osamu Tezuka se terem conhecido...
- 6 anos após o primeiro encontro entre a Turma da Mônica adolescente e a princesa Safiri, Simba, o leão Branco ou Astroboy (criações de Tezuka)...
- 90 anos após o nascimento do ‘deus’ do manga…

06/08/2013

Biografias aos quadradinhos











Recém-chegada às livrarias nacionais, “Anne Frank: Biografia Gráfica”, uma edição da Devir, é uma obra que exemplifica um género a que a banda desenhada regressa recorrentemente: a biografia.

Se a história de Anne Frank, a pequena judia que narrou num diário a sua experiência como refugiada judia na Holanda, durante a segunda Guerra Mundial, é razoavelmente conhecida, recontá-la aos quadradinhos pode ser uma forma de a fazer chegar a leitores menos familiarizados com as atrocidades sofridas pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Os seus autores, Sid Jacobson e Ernie Colón, para além do diário de Anne, basearam-se também em testemunhos de pessoas que a conheceram, para fazerem um enquadramento histórico e narrarem a história da sua família antes e depois do holocausto nazi.
Da mesma editora é também “O Zen de Steve Jobs”, que num registo mais ficcional, ilustra diversos episódios da vida do fundador da Apple entre 1970 e 2011, que mostram a sua relação com Kobun Chino Otogawa, um monge zen dissidente do budismo, e como se inspiraram mutuamente.
Acreditando nas potencialidades desta forma de expressão e na facilidade com que chega a leitores mais novos, a Fundação Nelson Mandela compilou diversos episódios da vida do antigo presidente sul-africano em “Nelson Mandela: The Authorized Comic Book”, um projecto que teve supervisão do próprio.
Temática usada em Portugal e noutros países ocidentais durante décadas para contornar as limitações que a censura impunha, a biografia aos quadradinhos continua a ter cultores como o veterano José Ruy, autor de “Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos” (Âncora), na qual provoca o encontro entre duas “versões” do biografado, o homem maduro e o jovem de 14 anos, que vão conversando e percorrendo os diversos locais onde viveu uma das figuras mais proeminentes do movimento da Renascença Portuguesa.
Já “Pessoa & Cia” (ASA), da catalã Laura Pérez Vernetti, apresenta o poeta português através de uma biografia desenhada e da reinterpretação de alguns dos seus poemas aos quadradinhos.
Menos conhecido é o fotógrafo brasileiro Maurício Hora, natural da favela do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, onde ainda hoje habita por opção, cujas dificuldades de vida inerentes ao meio são traçadas em “Morro da Favela” (Polvo) do também brasileiro André Diniz.
No campo do desporto, a vida de um dos maiores ciclistas de todos os tempos foi lembrada aos quadradinhos nos anos 1970 pelo jornal “A Capital”, numa BD recuperada pelo GICAV em “Um campeão chamado Joaquim Agostinho”, a propósito do centenário do seu criador, Fernando Bento (1910-2010).
Nos Estados Unidos, os quadradinhos biográficos dedicados a personalidades e celebridades das mais diversas áreas encontraram um nicho de mercado que a Bluewater Productions tem explorado a fundo. O actor Lou Ferrigno, o escritor George R.R. Martin, o basebolista Jackie Robinson ou os One Direction são alguns dos nomes que recentemente integraram um já vasto catálogo onde também se encontram biografias  de Barack Obama, dos príncipes William e Kate, de Michael Jackson ou de Angelina Jolie, esta última desenhada pelo português Nuno Nobre.
Entretanto, nalgumas bancas e quiosques portugueses está neste momento disponível o segundo tomo de “La Vie de Mahomet”, uma biografia do profeta do islão.
Editada pela revista satírica “Charlie Hebdo”, conhecida pelas muitas polémicas que tem provocado e cuja sede chegou a ser alvo de um atentado bombista, desencadeou uma tempestade mediática quando foi editado o primeiro volume, mas a obra revelou-se fiel à versão histórica, fruto de um profundo trabalho de pesquisa por parte de Zineb e Charb, que entre outras bases utilizaram os textos sagrados do Corão “para ilustrar o percurso de um homem, Maomé, tal e qual é descrito nas próprias fontes islâmicas”.
Apesar disso, não escapou a tornar-se alvo de alguns extremistas e recentemente, em França, donos de quiosques foram ameaçados e mesmo agredidos por a exporem e o Facebook chegou a suspender a página da “Charlie Hebdo” por “publicação de conteúdos que violavam” as suas regras…
A finalizar, a título de curiosidade fica uma referência a três biografias intimamente ligadas ao género narrativo que as suporta: “Maurício de Sousa: biografia em quadrinhos”, assinada pelo respectivo estúdio, mas que assume alguns contornos autobiográficos, “Osamu Tezuka – Biographie”, obra póstuma sobre o criador de Astroboy, e “A Saga do Tio Patinhas”, editada em Portugal pela Edimpresa, na qual Don Rosa recriou cronologicamente o percurso do pato mais rico do mundo a partir dos muitos episódios escritos e desenhados por Carl Barks, o seu criador. 

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 6 de Agosto de 2013)

05/09/2012

Turma da Mônica Jovem #44

 
 
 
 
 
 
 
 
Tesouro Verde (2ª parte)
Petra Leão (argumento)
Estúdios Maurício de Sousa (desenho)
Panini Comics (Brasil, Fevereiro e Março de 2012)
160 x 210 mm, 128 p., preto e branco, brochada, mensal
R$ 7,50 / 3,00 €
 
Resumo
Actualmente nas bancasportuguesas, esta revista conclui o arco iniciado na “Turma da Mônica Jovem” #43, na qual as versões adolescentes de Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Franjinha, vivem uma aventura em conjunto com Kimba, o leão branco, AstroBoy, Safiri (de A Princesa e o Cavaleiro) e outros heróis criados pelo japonês Osamu Tezuka.
A aventura, que concretiza um projecto esboçado pelos dois autores nos anos 1980, leva as personagens dos dois até à Amazônia, para defrontarem traficantes de madeira.
 
Desenvolvimento
Qualquer crossover – como o actual – para funcionar tem que obedecer a um pressuposto simples: as personagens envolvidas têm que manter as suas identidades próprias e fazer sentido na relação umas com as outras e no enredo que as une.
E isso, sem qualquer dúvida é conseguido em “Tesouro Verde”, onde todos agem como o leitor esperaria, embora, naturalmente, o registo – na construção, no tipo de humor - esteja mais próximo do habitual em Maurício de Sousa – falta a crueldade e realismo habituais nos argumentos de Tezuka – o que não surpreende pois esta é uma produção original dos seus estúdios.
Por isso, também, se todos interagem naturalmente – de alguma forma foram agrupadas de acordo com as suas ambições e desejos – grande parte da narrativa baseia-se nos choques e/ou ligações que conseguem estabelecer. E se isto é positivo pois ajuda o leitor a integrar-se num modelo que, sem dúvida, foge ao habitual, acaba por limitar – e nalguns casos secundarizar – aquela que deveria ser a base narrativa.
Porque convém não esquecer, no âmago deste projecto está uma mensagem ecológica – actual e premente – centrada na Amazónia mas extensível a outros locais do planeta – ou mesmo a todo o planeta – que salienta a necessidade de uma utilização sustentada dos recursos naturais.
Apesar desse propósito óbvio, a história, de ritmo sustentado para que todos os elementos possam ser considerados e absorvidos, desenvolve-se em cenas paralelas que convergem para o inevitável confronto final, mas não sem algumas surpresas e inflexões no argumento.
Mesmo com os aspectos menos conseguidos apontados, no geral o conjunto funciona bem e poderá ter sido, quem sabe, o abrir de uma porta que no futuro proporcione outros cruzamentos entre a Turma da Mônica Jovem e heróis de outros universos…
 

31/07/2012

Turma da Mônica Jovem #43













Está já distribuída em Portugal a revista “Turma da Mônica Jovem” #43, na qual as versões adolescentes de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, vivem uma aventura em conjunto com Kimba, o leão branco, AstroBoy, Safiri (de A Princesa e o Cavaleiro) e outros heróis criados pelo japonês Osamu Tezuka.
Considerado o pai do manga moderno, Tezuka (1928-1989) conheceu Maurício de Sousa nos anos 1980, tendo os dois criadores de quadradinhos ficado amigos e tido vários encontros no Brasil e no Japão, tendo mesmo projectado uma história em conjunto, que acabou por não se concretizar devido à morte prematura do criador japonês.
“Na época em que conversámos, a ideia era fazer uma animação juntando os nossos personagens”, explicou Maurício de Sousa, mas recentemente, após contactos com a família de Tezuka, “achamos melhor começar com uma publicação aos quadradinhos, para depois vermos a possibilidade de fazer um desenho animado também”.
O resultado é “Tesouro Verde” uma história em duas partes – que foi introduzida num encarte especial incluído na “Turma da Mônica Jovem” #42 – que une os heróis mais emblemáticos dos dois criadores na luta pela preservação da Amazônia e que tem por objectivo alertar os mais jovens para a importância da sustentabilidade.
A “Turma da Mônica Jovem” #43, lançada há seis meses no Brasil e agora disponível também em Portugal, antecipava a ECO+20, um encontro internacional de temática ecológica, organizado pelas nações Unidas, que teve lugar no Rio de Janeiro em Junho passado.

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 28 de Julho de 2012)


10/12/2010

Selos & Quadradinhos (7)

Stamps & Comics / Timbres & BD (7)

Tema/subject/sujet: Science and Technology and Animation Series Nº 1 - Astroboy
País/country/pays: Japão/Japan/Japon
Data de Emissão/Date of issue/date d'émission: 2003

09/08/2010

Astroboy #3

Osamu Tezuka (argumento e desenho)
ASA (Portugal, Agosto de 2010)
127 x 182 mm, 208 p., pb, brochada


Se a recensão dos tomos #1 e #2 já deixou diversas pistas de leitura, a presença nas livrarias do terceiro tomo de Astroboy justifica mais estas curtas linhas em período de férias (também aqui nas Leituras).
Porque se trata de (mais) Tezuka – em português – um autor de referência e incontornável, que todos devem conhecer, sejam fãs de manga ou não, e porque significa que a ASA cumpriu o programa editorial que se tinha proposto. O que (infelizmente) tem sido algo raro entre nós na edição de BD, mas não deixa de ser um sinal positivo para os leitores, mais a mais tendo em vista o lançamento – previsivelmente em Outubro – do primeiro volume de Dragon Ball, uma série de outro fôlego para a qual a periodicidade será factor fundamental para agarrar (o seu) público.

23/07/2010

Astroboy 2

Osamu Tezuka (argumento e desenho)
ASA (Portugal, Julho de 2010)
127 x 182 mm, 208 p., pb, brochada

Se já algo ficou escrito n’As Leituras do Pedro sobre Astroboy, aquando do lançamento do primeiro tomo desta trilogia que a ASA está a editar, a chegada às livrarias do segundo tomo um mês decorrido sobre o lançamento do primeiro – dentro do prazo previsto, portanto, o que nem sempre (raramente?!) tem sido regra em Portugal – justifica nova chamada de atenção para a obra em geral e alguns detalhes dela em particular.
Em geral, porque Tezuka é um dos grandes nomes do manga e da BD e lê-lo em português é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Até porque a edição, graficamente, está bem cuidada e conseguida (pese embora alguns problemas na impressão dos tons cinzentos) e respeita o sentido de leitura do original japonês.
Depois, porque Astroboy é um clássico que, se tem algumas marcas do tempo que decorreu desde o seu lançamento - nos anos 60 do século passado – como era inevitável numa obra de antecipação tecnológica e científica, continua perfeitamente legível e, em muitos aspectos, actual. E se a primeira impressão é que estamos face a uma obra ingénua – e a ingenuidade está presente nela - e até infantil – devido a algumas das soluções narrativas adoptadas - , uma leitura – que nem necessita de ser muito atenta – contraria de imediato esta ideia porque, com o seu traço (enganadoramente) simplista - mas muito expressivo e dinãmico -, Tezuka consegue desenvolver histórias adultas que podem até ser chocantes e cruéis, destacando-se nestes aspectos, nesta nova compilação, “Sua alteza Deadcross”, o primeiro dos três contos nela inseridos.
Deixo ainda uma chamada de atenção final para a dualidade humanos/robots que perpassa toda a saga de Astroboy, com as criações mecânicas, frequentemente, a ultrapassarem em humanidade os seus criadores humanos…

24/06/2010

Astroboy 1

Osamu Tezuka (argumento e desenho)
ASA (Portugal, Junho de 2010)
127 x 182 mm, 224 p., pb, brochada


Resumo
Astroboy é uma das mais famosas criações de Osamu Tezuka (1928-1989), considerado o pai do manga moderno e, sem dúvida, o mais importante autor do género, sendo esta a primeira vez que o autor é publicado no nosso país.
Astroboy, cuja versão cinematográfica estreou há poucas semanas nos nossos cinemas e cujo sucesso da versão animada, em 1963, estaria na origem do grande boom da animação japonesa, é a designação ocidental de um herói criado em 1951 sob o título de Atomu Taishi e um ano mais tarde alterado para Tetsuwan Atomu.
Manga “shônen” (ou seja, direccionado para o público juvenil masculino), de grande longevidade – foi publicado até 1968 - é uma história de ficção-científica que decorre no (então futuro e distante) ano de 2003, num tempo em que máquinas e humanos vivem lado a lado. O protagonista é um poderoso robot, criado por um cientista para substituir o seu filho falecido num desastre de automóvel, mas depois abandonado por não crescer e se desenvolver. Astroboy acaba por tornar-se o herói de Metro City, usando as suas super-capacidades para combater o mal

Desenvolvimento
Para os nossos dias, o tom – e a forma como são abordadas temáticas como a conquista do mundo a colonização da Lua ou a construção de robots a partir de seres vivos - pode parecer algo ingénuo, mas não deixa de ser um prazer ler Tezuka em português e descobrir (algum)as qualidades que fizeram dele um dos grandes autores aos quadradinhos de sempre: o ritmo, originalidade e imprevisibilidade das histórias, a planificação variada e dinâmica…
Apesar do tom aventuroso de Astroboy, Tezuka fez dele um hino à tolerância e à amizade, o que é de alguma forma visível no segundo (e maior) dos relatos incluídos neste tomo, ou não tenha sido o herói imaginado num Japão ainda sob os efeitos da derrota na II Guerra Mundial.
Curioso também é verificar como o seu traço simples – quase apetece escrever infantil – funciona tão bem num registo de ficção-científica como é este, quanto em histórias de outro cariz, sejam lendas, aventuras de acção, policiais ou de crítica social.
Fica o desejo que o “sucesso” desta “trilogia” permita à ASA posteriormente avançar com outros títulos (mais estimulantes) do autor, de temática mais adulta.

A reter
- A edição de Tezuka em português.
- A estreia da ASA na edição de manga japonês.
- A publicação do livro praticamente em simultâneo com a estreia do filme. Parece (e é) lógico, mas tem sido raro em Portugal.

Curiosidade
- As três histórias (completas) contidas neste volume têm introduções – igualmente aos quadradinhos -, protagonizadas pelo próprio Tezuka –posteriores á data original de publicação, que ajudam a perceber o contexto em que foram criadas.
- Este é o primeiro dos três volumes de Astroboy que a ASA tem agendados, devendo os restantes chegar às livrarias em Julho e Agosto.
- A edição portuguesa, de boa qualidade, respeita o sentido de leitura original, ou seja, da direita para a esquerda e do “fim para o princípio” (em relação à forma como geralmente se manuseiam os livros ocidentais).

(Versão revista e aumentada do texto publicado no Jornal de Notícias de 5 de Junho de 2010)
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